Pós-operatório - PTJ

Depois da cirurgia de prótese total do joelho, começa uma nova fase: o pós-operatório. E apesar de esta etapa ser muitas vezes vista como “a parte difícil”, a verdade é que ela segue um percurso bastante previsível e, quando bem conduzida, leva àquilo que realmente importa: menos dor, mais mobilidade e uma vida novamente ativa. Se está a ler isto, parabéns — já passou pela parte mais complexa, que é a cirurgia. Agora é tempo de recuperar.

A primeira coisa que precisa de saber é que vai sentir dor nos primeiros dias. Não vale a pena mascarar isto. Mas também é verdade que, com a medicação correta, essa dor é controlável e tende a melhorar diariamente. Não é uma dor “infinita”, nem de longe. É a dor natural de uma articulação que acabou de ser reconstruída, e o corpo reage a isso da única forma que sabe. Costumo explicar aos doentes que o joelho, depois de uma prótese, comporta-se como uma pessoa acordada cedo demais: resmunga um bocado no início, mas acaba por cooperar.

Nas primeiras 24 a 48 horas, a equipa médica vai focar-se em três coisas essenciais: controlo da dor, prevenção de complicações e começar, mesmo que ligeiramente, a mobilidade. Sim, leu bem: vai mexer o joelho logo no dia da cirurgia ou no seguinte. Isto não é para o chatear — é porque se sabe que a mobilização precoce reduz o risco de trombose, melhora a flexão final do joelho e acelera a recuperação geral.

Normalmente não utilizamos agrafos mas varia de médico para médico. A sutura intra-dérmica é uma optima solução em que se efectua a sutura por baixo da pele e não tem que retirar os pontos. Seja com agrafos ou pontos, o importante é mexer e controlar o inchaço ou edema.

Lembre-se que se nesta fase não dobrar o esticar o joelho na totalidade vai ter muito mais dificuldade em fazer isto mais tarde. A cicatrização deve-se dar com a mobilidade na sua totalidade.

Os exercícios de mobilidade são fundamentais!

Não estar com a perna muito tempo para baixo inferior ao nível do coração, fazer gelo, e usar meias compressivas devem ser as suas prioridades para controlar o inchaço que nesta fase é significativo. Pode aparecer um hematoma e conforme os dias forem passando o hematoma descer até ao tornozelo.

A fisioterapia é uma das protagonistas desta fase. Vai acompanhá-lo desde o início, ensinando como pôr o pé no chão, como subir e descer do leito, como usar canadianas e, sobretudo, como voltar a confiar na sua nova articulação. Muitos doentes ficam surpreendidos com o facto de conseguirem caminhar tão cedo. E é exatamente esse o objetivo: colocar o joelho a trabalhar dentro dos limites seguros para que o corpo entenda que o movimento voltou a ser possível.

Durante as primeiras semanas, o foco será recuperar a extensão total (esticar completamente o joelho) e ganhar progressivamente flexão. A extensão é ainda mais importante do que a flexão, porque sem ela a marcha nunca fica natural. Pense no joelho como uma dobradiça: só funciona bem se abrir e fechar completamente. A flexão vai aumentando com exercícios, gelo, paciência e consistência. Ninguém corre uma maratona no dia seguinte, e ninguém dobra o joelho a 130 graus na primeira semana. A recuperação é gradual e depende da sua dedicação diária.

Também é importante saber que o joelho pode ficar quente, inchado e rígido durante várias semanas. Isto não significa que a prótese está a falhar — significa apenas que o joelho está a cicatrizar. Uma prótese transforma o interior de uma articulação, e o corpo reage exatamente como reagiria a qualquer obra pesada lá dentro: com inflamação controlada. O gelo é um ótimo aliado. Use-o como quem usa diplomacia numa discussão familiar: quando aplicado na altura certa, evita muitos dramas.

Durante o primeiro mês, haverá dias muito bons e dias menos bons. É normal. A recuperação não é uma linha reta; tem altos e baixos. Se num dia dobrar o joelho lindamente e no dia seguinte parecer que regrediu, não se preocupe — faz parte. O importante é manter a consistência: caminhar várias vezes ao dia, fazer os exercícios recomendados, não exagerar e descansar o suficiente. Quanto mais equilibrado for este ciclo, mais rapidamente o joelho encontrará o seu novo normal.

À medida que os meses passam, a força volta, o movimento melhora e a sensação de “joelho estranho” desaparece. Muitos doentes referem que, a partir dos três meses, deixam de pensar constantemente na prótese. A certa altura, caminham naturalmente, sobem escadas sem hesitar e, sobretudo, conseguem fazer coisas simples que antes eram impossíveis, como passeios longos, viagens, dançar ou brincar com netos. Costumo dizer que o maior elogio que uma prótese pode receber é ser esquecida — quando deixa de ser protagonista e passa a ser apenas mais um membro funcional do corpo.

Em suma:

É normal:

  • O penso ficar sujo, deve trocar no penso na nossa consulta externa se a hemorragia ultrapassar os limites da região branca do penso.
  • Ter dor e sentir o joelho muito quente. Tenta não ficar ansiosa com a dor, vai melhorar e te medicação forte para ajudar.
  • Ter espasmos musculares. Tente mobilizar mais vezes o joelho.
  • Sentir picadas no joelho, assim como ter uma área anestesiada de pele na região lateral do joelho. Com o tempo essas áreas regressam ao normal.
  • Sentor dor, inchaço e hematoma na perna e tornozelo

Não é normal:

  • Febre, acima dos 38.5C acompanhada por a perna ficar vermelha.
  • Falta de ar súbita ou com pequenos esforços.

 

Consulte rapidamente a consulta externa ou a linha Luz24.

Cuidados no pós-operatório

NO INTERNAMENTO

Durante o internamento e nos primeiros dias em casa a dor pode chegar a ser bastante intensa e deve tomar a medicação conforme prescrita.

Lembre-se que a mobilidade nestes períodos embora difícil é de extrema importância. Idealmente o fisioterapeuta faz uma visita no internamento. e explica os exercicios que deve cumprir.

EM CASA

É muito importante que faça alguns exercícios de ativação do joelho em casa mesmo nos primeiros dias. Veja na imagem a dificuldade na activação do musculo quadricipital. É o primeiro passo para uma recuperação exemplar. Pode e deve mexer o joelho. Imobilizações são coisas completamente do passado nesta cirurgia.

Pode realizar carga com canadianas mas só retirar-las conforme o procedimento efectuado de acordo com o cirurgião sempre respeitando o apoio do fisioterapeuta.

Deve mexer o joelho!!! O ganho de extensão do joelho é de todos provavelmente o movimento mais difícil de conseguir; por isso deve inciar o quanto antes.

O melhor será ter a reabilitação já tratada previamente à cirurgia e conhecer o terapeuta para afinar protocolos entre o ele e o cirurgião.

Algumas recomendações gerais:

Não molhar os pensos e se molhar troca los em ambiente estéril.

Tomar banho com a zona dos pensos enrolada em algum material protetor.

Trocar o penso conforme aconselhado pelo seu médico.

Se o penso estiver muito repassado com sangue deve recorrer ao hospital onde foi operado para realizar um novo penso.

Alguma inflamação e sensação de calor é natural, no entanto, febre e e sinais inflamatórios muito exuberantes devem fazer com que recorre ao serviço de urgência.

Cumpra a medicação sem enganos...a profilaxia das tromboses é muito importante nestas cirurgias. Lembre se que uma trombose para além de atrasar o processo de recuperação pode por em risco a sua vida.

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