Cirurgia da instabilidade patelofemoral

A instabilidade patelofemoral pressupõe sempre pelo menos um episódio de luxação da rótula, ou seja, uma situação em que a rótula “sai do sítio” em relação ao fémur. Este episódio é geralmente doloroso, pode causar inchaço do joelho e dá muitas vezes uma sensação de insegurança ou medo de voltar a acontecer.

ATENÇÃO ⚠️

Após um primeiro episódio de luxação, o risco de voltar a acontecer não é igual em todas as idades.

Em pessoas com menos de 18 anos, o risco de nova luxação é elevado, pode chegar aos 80%.

Em adultos, acima dos 18 anos, esse risco é mais baixo, mas ainda significativo, situando-se aproximadamente entre 20 e 30%.

Quando está indicada a cirurgia?

A decisão de operar depende da idade, do número de luxações e das características anatómicas de cada joelho.

  • Em doentes com menos de 18 anos, a cirurgia pode estar indicada após o primeiro episódio se existirem fatores de risco importantes, como alterações na forma do joelho, rótula muito alta ou grande instabilidade.
  • Em doentes com mais de 18 anos, a cirurgia é mais frequentemente indicada após luxações repetidas, ou quando há uma sensação persistente de instabilidade que limita as atividades do dia a dia ou o desporto.

O papel do LPFM

Em qualquer situação cirúrgica, o ligamento patelofemoral medial (LPFM) deve ser sempre reconstruído, porque é a principal estrutura que impede a rótula de sair para fora. Este ligamento está praticamente sempre lesionado após uma luxação.

No entanto, a reconstrução isolada do LPFM nem sempre é suficiente.

Após este passo fundamental, deve ser feita uma avaliação individualizada do joelho para perceber se existem outras alterações que contribuam para a instabilidade.

Cirurgias associadas, conforme o problema

Quando existe patela alta e um valor aumentado da distância TA-GT, deve ser acrescentada uma osteotomia da tuberosidade anterior da tíbia (TAT), que permite reposicionar o local onde o tendão da rótula se fixa.

Quando há subluxação da rótula ou inclinação excessiva (tilt), pode ser necessário realizar um alongamento da asa lateral, para equilibrar as forças que atuam sobre a rótula.

Em casos de displasia troclear mais severa (alteração importante da forma do sulco do fémur), pode estar indicada uma trocleoplastia, cirurgia que remodela esse sulco para dar maior estabilidade à rótula.

Possíveis complicações da cirurgia

Como em qualquer cirurgia, existem riscos. As complicações mais frequentes incluem:

- Dor persistente no joelho

- Rigidez ou dificuldade em recuperar totalmente o movimento.

- Infeção (rara)

- Sensação residual de instabilidade

- Sobrecorreção ou subcorreção da rótula

Apesar destes riscos, quando bem indicada e adaptada a cada doente, a cirurgia da instabilidade patelofemoral apresenta bons resultados na grande maioria dos casos, permitindo reduzir as luxações, melhorar a confiança no joelho e regressar às atividades habituais.

A importância da escolha de um cirurgião especialista exclusivamente em joelhos

Preservar o menisco é ouro, e um cirurgião verdadeiramente especializado em joelho maximiza essa possibilidade.

Marque agora a sua consulta de diagnóstico

A consulta de diagnóstico é dedicada à avaliação rigorosa da patologia do joelho, com enquadramento clínico completo e definição estruturada do plano terapêutico. Um primeiro passo essencial para um tratamento seguro e personalizado.

Artigos de Especialista

Artigos desenvolvidos por especialistas para ajudar a compreender melhor o funcionamento do joelho