A recuperação depois de uma cirurgia à cartilagem é uma parte fundamental do tratamento. Cada técnica cirúrgica cria um tipo diferente de reparação, e por isso a reabilitação varia conforme a técnica utilizada. O objetivo é sempre o mesmo: proteger a zona tratada, permitir que o novo tecido se consolide e, ao mesmo tempo, recuperar o movimento e a força do joelho.
Após uma microfratura, o corpo forma um novo tecido a partir do osso por baixo da cartilagem. Esse tecido é frágil no início e precisa de tempo para se organizar. Por isso, a reabilitação dá grande importância à proteção da carga. Normalmente, o joelho começa a ser mobilizado cedo, para evitar rigidez, mas o apoio do peso do corpo na perna operada é limitado nas primeiras semanas. A progressão da carga é feita de forma gradual, permitindo que o tecido em formação não seja esmagado antes de estar maduro. O fortalecimento muscular é introduzido aos poucos, sempre com cuidado para não sobrecarregar a área tratada.
Nas técnicas de autocart, o objetivo é criar uma reparação de melhor qualidade, mais parecida com a cartilagem normal. Como este processo é mais complexo, a reabilitação tende a ser mais longa e mais controlada. O movimento do joelho é iniciado de forma precoce, mas dentro de limites bem definidos. A carga costuma ser restrita por um período maior do que na microfratura, para proteger a integração do novo tecido. O regresso às atividades de impacto é feito com cautela, porque a cartilagem leva vários meses a ganhar resistência suficiente.
Na mosaicoplastia, pequenos fragmentos de cartilagem saudável são transplantados para a área lesionada. Como estes fragmentos já são cartilagem “madura”, a recuperação pode ser um pouco mais previsível, mas ainda assim exige cuidado. A mobilização do joelho é geralmente iniciada cedo, mas a carga total é adiada, para permitir que os enxertos se fixem bem ao osso. A reabilitação foca-se muito no controlo do movimento, no fortalecimento progressivo e na proteção das zonas de onde a cartilagem foi retirada.
Nas lesões extensas, tratadas com transplantes de cartilagem ou implantes metálicos, a reabilitação é mais exigente e individualizada. No caso dos transplantes, é essencial dar tempo para que o novo tecido se integre na articulação, o que implica restrições prolongadas de carga e uma progressão muito gradual das atividades. Nos implantes metálicos, o objetivo principal é proteger o osso e restaurar a superfície articular; a reabilitação tende a focar-se no ganho de mobilidade, no controlo da dor e no fortalecimento muscular, respeitando sempre os limites definidos pelo cirurgião.
Uma nota importante: Independentemente da técnica utilizada, a reabilitação após cirurgia da cartilagem não é rápida. A cartilagem demora meses a consolidar e não tolera impactos precoces. Seguir corretamente o plano de fisioterapia, respeitar as limitações de carga e ter paciência são fatores decisivos para o sucesso da cirurgia.
Por volta dos 4 meses deverá estar pronto para regressar ao desporto.
IMPORTANTE: Cada pessoa é diferente…não se compare com uma amiga que foi operada. A reabilitação é um processo pessoal, individualizado, com caminhos diferentes entre pessoas. Concentre-se em melhorar diariamente, passo a passo. Focar-se no futuro sem dor e sensação de que o joelho não vai doer.
A consulta de diagnóstico é dedicada à avaliação rigorosa da patologia do joelho, com enquadramento clínico completo e definição estruturada do plano terapêutico. Um primeiro passo essencial para um tratamento seguro e personalizado.
Artigos desenvolvidos por especialistas para ajudar a compreender melhor o funcionamento do joelho